A Educação Formal e o Empreendedorismo

No Coaching para empreendedores, um dos grandes desafios é propor aos Coachees caminhos de aprendizado que lhes ajude a gerir suas empresas de forma mais eficiente.

Apesar de existirem diversas opções de cursos, palestras e workshops no mercado, um grande questionamento sempre vem à tona: qual o papel da educação formal no processo?

Aprender a Empreender?

Não é sem motivo que a relação educação formal x empreendedorismo gera polêmica. Desde os primeiros anos aprendemos a ver a escola como a grande fonte das informações que nos serão necessárias em nossa vida profissional. Não são raras as frases do tipo: “você não será ninguém se não estudar”.

Acompanhamos essa filosofia até os últimos níveis de especialização, seguindo uma cadeia lógica e estruturada. Tudo funciona muito bem, até que você vai para o mundo real e descobre a verdade: trabalhar não é o caminho linear e sistemático apresentado em sala de aula.

Isso é especialmente verdade na vida de um empreendedor, já que ele é a última instância de solução de problemas de sua empresa e dessa forma precisa saber de tudo um pouco e enfrentar desafios que não estarão descritos em nenhum livro de administração.

Esse contexto cria uma dura realidade: curso nenhum pode preparar ou ensinar alguém o que é empreender na prática, pelo simples motivo de que empreendedorismo não se fundamenta em conhecimentos, se fundamenta em competências. Basicamente:

A educação formal consegue proporcionar com maestria um dos elementos, mas dificilmente permite atingir consistência nos demais. Não se ensina a empreender, o que se faz é fornecer ferramentas que na vida diária suportarão as ações e decisões que possam ser tomadas. Sendo assim, a educação formal não garante nada, mas tem um papel de grande importância no processo.

O Poder da Educação Formal

O primeiro aspecto a ser considerado é que todo empreendedor precisa de fontes de conhecimento. Viver apenas “na prática” impede que ele expanda seu universo, que resolva certos problemas ou lide com determinadas situações. Conhecimento é o que dará respaldo àquilo que ele fizer no dia a dia e o que permitirá a ele enxergar outras abordagens.

O segundo ponto é que a educação formal, geralmente, atrai os maiores estudiosos em determinados assuntos e ainda transmite conhecimento por meio de uma metodologia testada ao longo de anos e aceita pelas maiores entidades no assunto. Portanto, faz sentido que ela seja a fonte preferida de informação para muitas pessoas.

Dessa forma, um curso superior não é capaz de transformar ninguém em empreendedor, mas concede a essa pessoa domínio dos conceitos de administração, dos aspectos jurídicos e contábeis, da análise de riscos, do planejamento e controle e de tantas outras disciplinas das quais qualquer empreendimento depende.

Talvez alguns tentem argumentar que podem aprender tudo isso na prática ou com pesquisas pela internet, e de fato podem, mas a proposta da educação formal é conceder uma visão global do assunto através de uma seleção criteriosa de conteúdo, feita por grandes autoridades no tema. Transmite ou não mais confiança?

Os Dois Lados da Moeda

formulas_33006Já te contaram a história daquele senhor que não tem sequer ensino médio completo, mas é dono de uma padaria, uma distribuidora, uma gráfica ou qualquer outro negócio de bairro que deixou ele rico? Além disso, quem nunca ouviu falar de Steve Jobs, Mark Zuckerberg, Flávio Augusto, Bill Gates ou Silvio Santos? Todos grandes empreendedores, mas sem uma formação superior.

Por outro lado, podemos citar Jorge Paulo Lemann, Abílio Diniz, Jeff Bezos, Muhammad Yunus, Luiza Helena Trajano, Warren Buffet e Sam Walton, como alguns exemplos de empreendedores extremamente bem-sucedidos e todos com formações de ponta em seus respectivos países.

Isso prova alguma coisa? Claro que não. Muito pelo contrário, bagunça ainda mais a equação. Se apenas um dos grupos representasse pessoas em sucedidas, seria muito simples dizer o que funciona ou não no mundo do empreendedorismo, mas não é bem assim.

A educação formal, como vimos, tem sim seu papel: fornecer ao empreendedor ferramentas que tornem suas decisões mais consistentes e assertivas. Mas se você pretende se tornar um empreendedor através dela, cuidado, ela lhe oferecerá conhecimentos, não competências.

2 Comments

  1. Robson Rodrigues 1 de dezembro de 2016
    • Bruno Augusto 3 de dezembro de 2016

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