Mais Forte Que o Mundo: Um Drama Peso Pesado

Neste mês de junho estreou nos cinemas o filme Mais Forte do Que o Mundo, baseado na história de vida do lutador José Aldo. A Academia de Espartanos foi conferir o trabalho e agora nós contamos um pouco das impressões deixadas pela produção.

Uma Grata Surpresa

Confesso que segui para o cinema sentindo um misto de desconfiança e expectativa. Filme brasileiro baseado em história de lutador é coisa nova, diverge de tudo o que já produzimos. Além disso, foi muito difícil imaginar algo que fugisse de criações como Rocky, o que não levaria a um filme ruim, mas bem pouco original. Felizmente minhas preocupações não se concretizaram.

Mais Forte Que o Mundo tem uma proposta que vai muito além das artes marciais. É um filme que fala daquelas coisas que carregamos conosco ao longo de toda vida. Das vulnerabilidades que acumulamos, das feridas que demoram a cicatrizar. Trata-se de uma produção dramática, dolorosa, até mesmo incômoda, que nos lembra a todo o momento que a realidade é dura e inevitável.

O filme foi fundo na proposta de mostrar que nosso maior inimigo somos nós mesmos e revelou o contraste entre a grandeza de um lutador e a fragilidade de um ser humano. A história de José Aldo, auxiliada pelos truques da liberdade criativa, às vezes quase nos faz esquecer dos combates que o consagraram no UFC e põe em foco a luta em um ringue muito mais duro: a vida.

Coaching do Princípio ao Fim

maxresdefault (1)Como muitas produções do estilo, Mais Forte Que o Mundo trabalha um contexto de antíteses, entre dias de luta e momentos de glória. Sua pegada motivacional não soa nem um pouco forçada, já que dedica tempo e esforços em mostrar a escalada do protagonista como lutador e como pessoa.

Alguns dos pontos mais destacados na história, são:

  • A forma como traumas influenciam nossos comportamentos e decisões;
  • A importância de não nos guiarmos pelo ambiente que nos rodeia, mas nos concentrarmos em realizar nossos sonhos;
  • O peso de vencermos nosso jogo interior, antes mesmo de buscarmos qualquer tipo de realização;
  • O papel que as pessoas próximas desempenham em nossas vidas, ao acreditarem em nós e nos incentivarem;
  • O poder libertador de perdoarmos, especialmente quando se trata de alguém próximo;
  • A necessidade de encontramos mentores honestos que prezem por nosso crescimento;
  • A importância de utilizarmos nossos sentimentos nos momentos certos, de forma alinhada com o que buscamos em cada situação;
  • A persistência como arma mais poderosa diante do sofrimento e das derrotas.

Tudo isso ajuda a compor um trabalho diferenciado, que prende a atenção ao longo dos seus 115 minutos, levando o expectador a torcer por Aldo, dentro e fora dos ringues. Aqueles que enfrentaram algum tipo de drama familiar podem se sentir especialmente impactados pela história.

Como todo filme, é claro que existem pontos questionáveis, especialmente para aqueles que esperavam cenas eletrizantes de luta, como dos filmes tradicionais, ou para os que não são fãs do uso constante de slow motion. Tenha plena consciência de que se trata de um drama e que, portanto, os momentos centrais não serão necessariamente em um octógono.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - OCTOBER 25: Chad Mendes of the United States and Jose Aldo of Brazil in their featherweight championship bout during the UFC 179 event at Maracanazinho on October 25, 2014 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

Em resumo, a produção não deixou a desejar. Com uma proposta original e corajosa do diretor Afonso Poyart, vemos uma construção consistente, um filme que vale a pena ser assistido.

Para os mais idealistas, a história pode representar mais do que a trajetória de um lutador. Em um momento em que tantos brasileiros precisam de razões para acreditar em um futuro melhor, é um grande presente encontrar pessoas que não se renderam às circunstâncias. Indivíduos que chegaram ao lugar mais alto do pódio. Homens e mulher mais fortes do que o mundo.

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