Você Ama o Que Faz?

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Se você nasceu de meados dos anos 70 até meados dos anos 90, esse artigo é para você. Trata-se do período referente à geração y, indivíduos que cresceram em uma fase de relativa prosperidade econômica, vislumbraram grandes avanços tecnológicos no sentido da virtualidade e conviveram com muitas facilidades materiais.

Essa também foi a primeira geração a desenvolver uma preocupação genuína e abrangente da ideia de trabalhar com o que se gosta. O primeiro grupo de indivíduos a encararem em conjunto a ideia de emprego como finalidade.

Conflito de Gerações

O mundo muda constantemente. Não adianta lutar contra isso. Revoluções acontecem, economias são pulverizas, outras se erguem e relações sociais se alteram. Essas transições mudam as pessoas e suas visões de mundo, criando o que nós definimos como gerações: grupos de indivíduos divididos por intervalos temporais e que possuem concepções específicas sobre muitos assuntos, o que inclui a forma como encaram o trabalho.

Quer um exemplo? Para a geração x (anos 60 até meados dos anos 70) o trabalho era um meio de caminhar até o objetivo final: estabilidade financeira. Já na geração seguinte, y, tudo mudou: trabalhar passou a carregar a ideia de satisfação. Todos querem morrer de amores por aquilo que fazem.

O Paradoxo da Satisfação

O curioso a respeito disso é que a necessidade de um trabalho que se ame, por si só, representa uma pressão a mais com a qual lidar. Especialmente entre jovens, tornou-se quase um sinônimo de fracasso admitir que não se está feliz com a carreira. Afinal, se no Facebook e na roda de boteco, todos estão felizes com o emprego, por que só você seria diferente?

E daí encontramos uma informação interessante: segundo a pesquisa Millennial Survey de 2016 (acesse aqui), organizada pela Delloite, 68% dos jovens brasileiros e 66% a nível mundial esperam deixar seus empregos atuais até 2020. Mas não estava todo mundo satisfeito?

Questão de Equilíbrio

Você passa anos ouvindo sobre o assunto, mas o que ninguém conta é que todo emprego envolverá momentos desagradáveis, tarefas desgastantes, estresse e frustrações. Em cada empresa será necessária uma dose de politicagem, sangue frio e bastante estômago. Quando você escolheu o que fazer na faculdade, estava dizendo o que ia estudar, não com o que ia trabalhar.

Não é que você não deva buscar algo que ame, apenas é errado deixar isso pressioná-lo. Você encontrará um milhão de sites te mandando seguir seus sonhos a todo o custo, abandonar seu emprego se não estiver satisfeito e outras coisas do tipo, mas nenhum deles pagará suas contas ao final do mês. Daí você se pergunta, o que fazer então? Ok, vamos lá!

Aceita Que Dói Menos…

Em primeiro lugar, seja trabalhando em seu próprio negócio ou no negócio dos outros, você terá atividades desagradáveis. Existem coisas chatas a serem feitas e você será remunerado por isso. Fato.

Outro ponto é que quando você trabalhar para os outros, entenda que a empresa não é sua. Você não é “colaborador”, é funcionário e, mesmo que te façam acreditar no contrário, quando a coisa apertar ou quando quiserem algo que lhe pareça injusto ou errado, os donos do negócio te lembrarão de suas obrigações.

O último aspecto que você terá de aceitar irremediavelmente é que, sendo bom ou ruim, o seu emprego representa a estrada para muitas coisas em sua vida. Você precisará de dinheiro e dizer que trabalha só por prazer é uma mentira. Portanto: se quiser conquistar algo, alguns sacrifícios serão necessários.

Mãos à Obra

Agora que você já sabe dos percalços, vejamos um pouco do que você pode fazer na busca da satisfação em um emprego:

Felicidade é algo subjetivo. Quer medir sua satisfação? Estabeleça metas financeiras, de crescimento, de aprendizado, de networking e de tudo o mais que julgar importante em um trabalho. Fica mais fácil se realizar se houver um alvo.

Pare de prestar atenção na carreira dos outros. Seu caminho é seu. Faça seu melhor e não acredite em tudo que lhe disserem ou preste atenção em coisas inúteis que só servem para causar ansiedade. Quase todo mundo quer parecer melhor do que é.

Se estiver ruim, admita e mude. É preciso muita coragem para mudar, mas às vezes essa é a única solução. Se não está feliz com a vida que leva no emprego, admita para si mesmo e consiga outro caminho. Recomece, se preciso for!

Conecte-se. Conversar com outros profissionais pode ser de grande ajuda. Você não é o único a enfrentar problemas na carreira. Encontre outros como você e descubra como eles lidam com a questão. Ajude e seja ajudado.

Summer-happiness-photoNão se identifique apenas com seu trabalho. Não embase sua felicidade em um emprego. Construa um legado, viaje, pratique esportes, gaste tempo com quem é importante, se divirta, ajude o próximo. Use seu emprego como um meio para isso.

Você não é engenheiro, médico, advogado ou professor. Isso é o que você faz. Você é o Bruno, a Joana, o Matheus, a Renata, o Pedro ou a Isabela: um quebra cabeça único em que o trabalho é apenas uma peça!

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